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Os pesquisadores da Mayo Clinic identificam um gene que pode prever o câncer pancreático em pessoas com diabetes tipo 2

Mayo Clinic

ROCHESTER, Minnesota. -- Os pesquisadores da Mayo Clinic têm identificado um gene conhecido como "UCP-1" que pode prever o desenvolvimento do câncer pancreático em pessoas com diabetes tipo 2. As descobertas foram publicadas em Gastroenterology.

"As estratégias de desenvolvimento para uma detecção precoce do câncer pancreático em pessoas sem sintomas são críticas para melhorar a sobrevivência", diz Suresh Chari, M.D., gastroenterologista da Mayo Clinic e autor sênior do estudo.

Para este estudo, o Dr. Chari e seus colegas estudaram uma coorte de pacientes de base populacional com câncer pancreático e grupos-controle pareados. Os pesquisadores estudaram as mudanças de glicemia de jejum nos pacientes, o peso corporal e os lípidos no sangue durante os cinco anos prévios ao diagnóstico do câncer pancreático. Eles também analisaram tomografias abdominais seriadas realizadas ao longo do tempo para outras indicações antes do diagnóstico.

A análise dessas tomografias permitiu aos pesquisadores identificar as mudanças na gordura subcutânea nos pacientes, na gordura visceral e no músculo ao longo do tempo. Os pesquisadores descobriram que as mudanças metabólicas nos pacientes com câncer pancreático começaram 36 meses antes do seu diagnóstico de câncer, junto com um incremento da glicemia. Eles também acharam que a partir dos 18 meses antes do diagnóstico de câncer pancreático, os pacientes experimentaram perda de peso e uma diminuição nos lípidos em sangue, que incluíram os triglicerídeos, o colesterol total e o colesterol de baixa densidade.

"Observamos que [esses] níveis de gordura subcutânea começam a diminuir aproximadamente 18 meses antes do diagnóstico do câncer pancreático, e coincidem com uma diminuição do peso corporal e dos lípidos", diz o Dr. Chari. "A gordura visceral e os músculos diminuíram nos últimos seis meses antes do diagnóstico do câncer pancreático e coincidiram com o desenvolvimento dos sintomas do câncer avançado".

O Dr. Chari diz que a diminuição da gordura e dos lípidos 18 meses antes do diagnóstico pancreático foram reminiscências dos efeitos do browning do tecido adiposo branco, um fenómeno encontrado em outros cânceres. "A gordura marrom gera calor corporal, um fenómeno especialmente proeminente nos recém-nascidos, mas muito menos proeminente nos adultos", diz o Dr. Chari.

O Dr. Chari diz que um indicador específico de gordura marrom é uma proteína de desacoplamento conhecida como UCP-1. "A gordura branca se pode tornar marrom ao ativar determinados genes 'browning', entre eles, UCP-1", diz. "Nós temos a hipótese de que o câncer pancreático causa o browning da gordura subcutânea, e confirmamos nossa hipótese nos estudos animais, experimentais e humanos".

De acordo com suas descobertas, o Dr. Chari e seus colegas identificaram três fases metabólicas antes de um diagnóstico de câncer pancreático. Cada fase é caracterizada pelo início de uma nova mudança metabólica:

* Fase I
Esta fase, entre os 36 e 18 meses, é caracterizada por um incremento nos níveis de glicemia.

* Fase II
Esta fase, entre os oito e seis meses, é caracterizada pela diminuição de lípidos e peso, pelo browning da gordura subcutânea e por um incremento da temperatura corporal.

* Fase III
Esta fase, entre os seis e zero meses, é caracterizada por um incremento maior nos níveis de glicemia e temperatura corporal, junto com uma diminuição de lípidos; e peso; e de tecidos moles que incluem gordura subcutânea, gordura visceral e músculo.

"Nosso estudo tem implicâncias importantes para uma detecção precoce do câncer pancreático", diz o Dr. Chari. "Além dos dados de suporte dos estudos animais e experimentais, conseguimos mostrar que os níveis do gene UCP-1 estão claramente aumentados nos pacientes com câncer pancreático, em comparação com os grupos de controle. Acreditamos que o UCP-1 potencialmente pode ser usado como um marcador biológico para prever o câncer pancreático nos grupos de alto risco, como nos pacientes com nova ocorrência de diabetes ou diabetes antiga que perdem peso sem intenção".

A pesquisa prévia do Dr. Chari teve foco no estudo de pacientes com uma nova ocorrência de diabetes como parte de um grupo com alto risco de desenvolvimento do câncer pancreático. Como parte do trabalho, o Dr. Chari e seus colegas desenvolveram e validaram uma pontuação chamada de Enriching New-Onset Diabetes for Pancreatic Cancer (Nova ocorrência do diabetes enriquecido para câncer pancreático) ou ENDPAC que estratifica o risco de desenvolver câncer pancreático nos pacientes com uma nova ocorrência de diabetes.

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