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Pesquisa analisa como nascem os polos de desenvolvimento

Estado de São Paulo, por sua economia diversificada e estruturas de fomento à pesquisa, reúne fatores presentes na gênese de clusters europeus de empreendedorismo e inovação com alcance internacional, afirmam pesqu

Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo

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IMAGE: According to researchers, by strength of its diversified economy and research funding structure, the Brazilian State of São Paulo meets the conditions of cross-bordering European clusters of entrepreneurship and innovation... view more 

Credit: São Paulo Research Foundation (FAPESP)

A alta concentração espacial de instituições avançadas de ensino e pesquisa e empresas muito inovadoras tornou-se uma variável de primeira importância na definição de políticas públicas e nas estratégias das agências de fomento.

O motivo de certas regiões atraírem ou possibilitarem a criação de mais empresas é fator essencial na compreensão dos conceitos de "Empreendedorismo" e "Geografia da Inovação" - que emprestaram seus nomes ao simpósio internacional realizado pela Fundação de Amaro à Pesquisa Avançado do Estado de São Paulo (FAPESP) em julho -- e que reuniu pesquisadores do Brasil, Américas, Europa e Ásia em São Paulo.

"Já no século XIX, o economista britânico Alfred Marshall (1842-1924) falava da importância da aglomeração de indústrias", salientou o economista Nicholas Vonortas, que coordenou do simpósio. "O que mudou, de lá para cá, é que nosso interesse migrou da aglomeração de companhias manufatureiras simples para a aglomeração de companhias intensivas em tecnologia e conhecimento. São estas que realmente contam agora".

Nicholas Vonortas é professor de Economia e Assuntos Internacionais da The George Washington University. Ele também conduz o projeto da UNICAMP "Sistemas de inovação, estratégias e políticas", no âmbito do qual ocorreu o simpósio. O projeto conta com apoio da FAPESP por meio de seu programa São Paulo Excellence Chair (SPEC).

A exemplo do que acontece no Estado de São Paulo (em regiões como as de Campinas e São José dos Campos), é a formação de um "ecossistema empresarial" que gera condições para empresas se beneficiarem umas das outras, como conceitua Ron Boschma, professor de Economia Regional nas universidades de Utrecht (nos Países Baixos) e Stavanger (na Noruega).

"Os cenários desenhados mostram que não se pode simplesmente começar do zero. É preciso identificar capacidades e oportunidades, que devem ser exploradas, utilizadas e diversificadas para se chegar a novas soluções", comentou o pesquisador.

Boschma acredita que, por ter uma economia muito diversificada, o Estado de São Paulo oferece muitas oportunidades para um empreendedorismo intensivo em conhecimento. "A mensagem principal é que os empreendedores deveriam se conectar. A complementaridade pode otimizar os recursos. E, mapeando as especialidades, seria possível desenvolver programas de desenvolvimento e parcerias que incentivassem a conexão e assim amplificassem as competências", disse.

Regiões transnacionais

Vonortas chamou a atenção para regiões econômicas vitais que transbordam as delimitações administrativas entre estados e países. Isso não poderia deixar de acontecer em um país de dimensões como o Brasil, e Vonortas cita como exemplo atividades que criam polos de geração de riqueza dos dois lados da fronteira entre São Paulo e Minas Gerais, ou da fronteira entre São Paulo e Rio de Janeiro.

A despeito dos desafios jurídicos e regulatórios suscitados por esse fenômeno, Michael Stampfer, diretor do Fundo Vienense para Ciência e Tecnologia (WWFT), explicou que a ocorrência de zonas transnacionais de desenvolvimento se explicam por um conjunto de fatores encontrados em cada uma das entidades federativas. "Depende de quão avançadas tecnologicamente elas se encontram, como a inovação é valorizada na respectiva sociedade e em que ponto se inserem no caminho para a alta tecnologia e o desenvolvimento da cadeia de valores", afirma.

Em sua apresentação, Stampfer comparou, enquanto potencial de inovação, uma região transnacional europeia incipiente, Centrope (que integra porções da Áustria, Eslováquia, Hungria e República Tcheca, polarizadas por Viena), com quatro regiões transnacionais já consolidadas: Oresund (porções da Dinamarca e da Suécia), Elat (porções dos Países Baixos, Bélgica e Alemanha), TMO (porções da França, Suíça e Alemanha) e IBK (porções da Alemanha, Suíça e Áustria). E apontou as principais debilidades de Centrope: falta de universidades líderes em alta tecnologia; áreas com histórico de copiar em vez de criar inovação; drenagem de cérebros da Eslováquia, Hungria e República Tcheca para os centros mais desenvolvidos do mundo e pouca mobilidade dos estudantes no interior da própria região.

Guardadas as devidas proporções, e com todas as ressalvas geográficas, históricas, culturais e outras, o modelo de diagnóstico apresentado pelo especialista austríaco pode ser bastante útil para levantamentos comparativos dos potenciais de regiões brasileiras ou de regiões que cruzem as fronteiras de países sul-americanos.

Apoio a pequenas empresas inovadoras

Outra variável importante são as políticas de fomento já adotadas e os resultados acumulados ao longo dos anos. É o caso do apoio à pesquisa voltada para a inovação em pequenas empresas, por meio de programas do tipo SBIR (Small Business Innovation Research), discutido em mesa que reuniu especialistas da Áustria, Brasil, Coreia do Sul e Rússia. Trata-se de uma área em que a FAPESP possui um longo histórico de atuação, principalmente por meio do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), iniciado em 1997.

Sérgio Robles Reis de Queiroz, professor do Departamento de Política Científica e Tecnológica da Universidade Estadual de Campinas (DPCT - Unicamp) e coordenador adjunto de Pesquisa para Inovação da FAPESP, fez o balanço dessa iniciativa, que comemora, em 2017, 20 anos. "Cerca de 1.800 projetos foram aprovados e mais de 1.100 pequenas empresas receberam apoio até agora, com financiamento não reembolsável superior a R$ 1,2 milhão por projeto", contabilizou.

Conforme quantificou o pesquisador, os impactos do PIPE em termos de mercado de trabalho podem ser estimados por um aumento de 30% no número de pessoas empregadas e de 41% se computados os contratados, terceirizados e associados. E os impactos econômicos, por um retorno de seis para um nos investimentos da FAPESP.

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