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Desenvolvimento de games previne declínio cognitivo de idosos

Estudo envolveu também um grupo de controle e um de pessoas que aprenderam a jogar videogames, todos com idade média de 65 anos

Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo

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IMAGE: The study in Brazil involved a control group and a third group of people who learned to play video games view more 

Credit: Fabio Ota/ISGame

A Tecnologia da Informação pode ser uma ferramenta poderosa também para a preservação das funções cognitivas de pessoas com mais de 60 anos. Esse pressuposto embasou a iniciativa de Fabio Ota de testar os benefícios de ensinar técnicas de desenvolvimento de games para um grupo de 46 idosos, com o objetivo de desenvolver o raciocínio lógico e prevenir o declínio cognitivo.

A ideia de utilizar o desenvolvimento de games para estimular a cognição de pessoas mais velhas começou a tomar forma em 2014, quando Ota criou a International School of Game (ISGame) e começou a ensinar desenvolvimento de games para jovens. Em 2015, organizou um curso para 14 pessoas com mais de 50 anos no âmbito do programa UniversIDADE da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e, no mesmo ano, apresentou projeto para testar a metodologia ao programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

No projeto para construir os games, a empresa utilizou como base um programa de construção de jogos 2D, que não exige o uso de códigos de programação.

"O desafio começa com o planejamento das diversas fases do jogo, passa pelo desenvolvimento do enredo e pela escolha dos objetos que serão utilizados em cada uma das fases, até chegar ao produto final", descreve Ota, CEO da ISGame. Esse conjunto de tarefas, ele sublinha, se orienta tanto pela criatividade como pelo raciocínio lógico.

O estudo teve duração de nove meses, tendo sido concluído em fevereiro de 2017. A pesquisa envolveu, além do grupo de idosos com a tarefa de desenvolver o jogo, também um grupo de controle (15 pessoas) e um grupo de jogadores (14 pessoas, que aprenderam a jogar videogame), todos com idade média de 65 anos. A maioria tinha nível superior de escolaridade e sem grande diferença estatística no que se refere à estrutura familiar, condições de saúde e financeira, entre outros critérios utilizados na composição da amostra.

Para avaliar comparativamente a evolução dos três grupos, os pesquisadores envolvidos no projeto utilizaram como gabarito metodologias já conhecidas como, por exemplo, o Mini-Exame do Estado Mental (MEEM), o Trail Making Test (TMT) e o Scenery Picture Memory Test (SPMT) para avaliar orientação espacial, temporal, memória imediata e de evocação, linguagem-nomeação, repetição, compreensão, escrita e cópia de desenho.

"Após o curso, a evolução do grupo de desenvolvedores de games foi significativamente melhor do que a observada nos outros grupos, de controle e jogadores", afirma Ota, elencando aspectos relacionados às avalições de saúde mental, qualidade de vida, performance cognitiva e capacidade funcional.

Esse desempenho foi reconhecido também por alguns dos participantes do grupo. Em depoimentos aos pesquisadores, eles mencionam "melhor concentração", "mais coordenação", "melhora na memória", "agilidade mental", "criatividade" e "sociabilidade".

A socialização, aliás, era um objetivo secundário do projeto. A ideia era proporcionar, durante o curso, um ambiente propício ao relacionamento de um grupo com tarefas e desafios comuns, contribuindo, adicionalmente, para valorizar a autoestima. "Ao final do curso, eles convidaram filhos e netos para testar os jogos por eles desenvolvidos. Foi surpreendente ver os avós ensinando os netos as etapas dos jogos", conta Ota.

"Confirmada a eficácia da metodologia, estamos expandindo o número de cursos para idosos. Temos, atualmente, 40 alunos em Campinas e 40 em São Paulo. E estamos fechando uma parceria importante que nos permitirá atender mais 250 pessoas."

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International School of Game (ISGame)

Site: http://isgame.com.br

Sobre a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP)

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) é uma das principais agências públicas brasileiras de fomento à pesquisa. A FAPESP apoia a pesquisa científica e tecnológica por meio de Bolsas e Auxílios a Pesquisa que contemplam todas as áreas do conhecimento. Em 2016, a FAPESP desembolsol R$ 1,137 bilhão, custeando 24.685 projetos, dos quais 53% com vistas à aplicação de resultados, 39% para o avanço do conhecimento e 8% em apoio à infraestrutura de pesquisa. Saiba mais em: http://www.fapesp.br.

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